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Na nossa derivação de transporte de energia por convecção,
supusemos que o elemento convectivo se desloca com uma velocidade
por uma distância
e então se dissolve no meio, liberando
o calor. No topo da zona de convecção, onde o gradiente de
temperatura real se torna menor do que o gradiente de temperatura
adiabático, todos os elementos convectivos supostamente param,
não penetrando nas camadas superiores, que são estáveis.
Essa hipótese não é real, pois alguns elementos do fluido
excederão a borda, entrando na região estável.
Os efeitos desse sobreimpulso (overshooting) são: misturar a matéria
de composição química diferente depois da interface
convectiva e transportar algum calor, ou seja, uma maior mistura (extra-mixing).
No modelo de comprimento de mistura, o transporte
de fluxo pela energia cinética dos
elementos não é incluída.
Na zona de convecção
no núcleo de estrelas
massivas, o overshooting afeta o tempo de vida, pois mistura
combustível nuclear e pode levar restos de queima nuclear
até a superfície das estrelas, onde se tornam visíveis,
como no caso das estrelas Wolf-Rayet. O grande problema é
estimar a desaceleração do elemento e, portanto, quantificar
o overshooting.
Bernd Freytag,
Hans Günther-Ludwig e
Matthias Steffen
(1996, Astronomy & Astrophysics, 313, 497) estudaram o overshooting
nas camadas superficiais do Sol,
estrelas A e anãs brancas DAs através de modelos hidrodinâmicos.
Nas suas simulações numéricas, os movimentos convectivos se extendem
bem além das zonas instáveis. Para uma estrela tipo A de sequência
principal, a massa na zona de overshooting é maior do que
a massa na zona de convecção por um fator de 10. Para uma anã
branca DA com Tef=12 200 K, a massa na
zona de overshooting é maior do que
a massa na zona de convecção por um fator de 100!
Isto ocorre porque,
nas simulações, o material descendente se
concentra em tubos estreitos com altas velocidades, cercados de
largas regiões ascendentes com velocidades comparativamente baixas.
Simulação bi-dimensional da convecção solar,
mostrando as inomogeneidades
Vittorio M. Canuto (2000,
Semiconvection and Overshooting: Schwarzschild and Ledoux Criteria Revisited,
Astrophysical Journal, 534, L113), discute que o critério de
Schwarzschild requer overshooting enquanto o
critério de Ledoux não necessariamente.
No seu artigo de 1999 (Overshooting in Stars: a New Formulation,
em Stellar Structure: Theory and Test of Connective Energy Transport, ASP Conference Series, Vol. 173. Ed. Alvaro Gimenez, Edward F. Guinan & Benjamin Montesinos, Astronomical Society of the Pacific, San Francisco, ISBN: 1-886733-95-3, p.133)
ele deduz um modelo para calcular o overshooting.
Semi-convecção é a mistura de elementos na interface
da zona de convecção, devido à existência de descontinuidades
na composição química. Por exemplo, para uma estrela
de 10 M⊙, a zona de convecção se expande com o tempo,
causando uma descontinuidade na abundância do hidrogênio, X.
Como a opacidade é dominada por espalhamento de elétrons
e, como veremos na seção (T10),
é descontínua e, portanto,
também, pois a equação de equilíbrio
radiativo (equação 1.51) nos dá:
 |
(1) |
Como
 |
(2) |
e
quase não depende da composição química,
pois
para um gás ideal,
é
contínuo. Devido à descontinuidade de
,
existe uma pequena região fora da zona de convecção que
não é radiativa, mas também não é convectiva. Nessa
região, deve ocorrer uma mistura até que os gradientes
de composição química não sejam descontínuos.
Essa mistura chama-se de semi-convecção, ou convecção difusiva.
Joris De Ridder e colaboradores
(2009,
Non-radial oscillation modes with long lifetimes in giant stars,
Nature, 459, 398),
demonstraram que as observações de
300 gigantes não conseguem ser reproduzidas com os modelos atuais,
devido às incertezas no overshooting e semiconvecção.
O mesmo problema acontece nos modelos da atmosfera da Terra,
necessário para os cálculos de clima.
Outro efeito que precisa ser levado em conta é a mistura por
dedos de sal (salt fingers), também chamado de mistura termoalina,
causados por instabilidade de difusão dupla,
em que camadas de diferentes densidades e temperaturas se misturam,
como as calculadas por Matteo Cantiello e Evert Glebbeek para
as gigantes vermelhas. O nome vem do fenômeno nos oceanos, quando
água mais quente e salgada está sobre uma camada de água menos
salgada e mais fria.

estável

semi-convecção

termoaline
Uma teoria de convecção que leva em conta os diversos tamanhos
dos elementos de mistura turbulenta, sem parâmetros ajustáveis,
e que calcula o transporte de energia levando em conta tanto a
diferença de temperatura das camadas externas quanto a própria
turbulência, foi desenvolvida por Vittorio M. Canuto, Itzchak Goldman e Italo
Mazzitelli (1996, Astrophysical Journal, 473, 550).
Vittorio M. Canuto (2002, Critical Richardson numbers and gravity
wavess, Astronomy & Astrophysics, 384, p. 1119-1123),
conclui que a convecção turbulenta gera ondas de gravidade que
se propagam na região radiativa, agindo como uma fonte adicional de energia.

Alfred Gautschy & Leandro G. Althaus
(2002, Astronomy and Astrophysics, 382, 141) fazem comparação entre a teoria de comprimento
de mistura (ML2) com a teoria de Canuto, Goldman e Mazitelli
(CGM) para
modelos de anãs brancas. Na figura temos
a extensão da zona de convecção superficial, q=1-m/M
*,
dada pela região cinza pela teoria CGM e delimitada
pelas linhas para a ML2, para diferentes valores de temperatura
efetiva de um modelo de anã branca com 0,6 massas solares.
Vittorio M. Canuto (2011,
Astronomy & Astrophysics, 528,
76,
77,
78,
79,
e
80)
discute a aplicação de modelos de tensão de Reynolds, atualmente utilizados nos
modelos atmosféricos e oceânicos, à convecção das estrelas.
Este formalismo é derivado das equações de movimento
de fluidos de Navier-Stokes [Claude-Louis Navier (1785-1856)
e Sir George Gabriel Stokes (1819-1903)],
que incluem difusão e pressão.
Uma das razões da necessidade de nova teoria vem do fato de que no Sol,
os modelos, por exemplo, L. Deng & D.R. Xiong
(2008, IAU Symposium 252, ed. L. Deng, & K. L. Chan,
Cambridge University Press, p. 83)
e simulações
numéricas de overshooting resultam em uma região
uma ordem de magnitude maior do que a resultante da
inversão dos dados de hélio-sismologia, por exemplo de
Jorgen Christensen-Dalsgaard et al. (2011, Monthly Notices
of the Royal Astronomical Society, 414, 1158).
Q. S. Zhang (2013, Astrophysical Journal Supplement,
arXiv:1303.0139)
discute que o overshooting pode ser representado por difusão, com
um coeficiente único para o Sol e para estrelas entre 2 e 10 massas solares.
Em geral um único coeficiente não consegue representar condições
muito distintas.
Hans-Günter Ludwig,
Bernd Freytag & Matthias Steffen (1999,
A calibration of the mixing-length for solar-type stars based on hydrodynamical simulations. I. Methodical aspects and results for solar metallicity,
Astronomy and Astrophysics, 346, 111), compararam suas simulações bi-dimensionais de convecção com os valores de α, tanto para a teorias de Erika Bohm-Vitense ML1 e ML2 (figura abaixo)
quanto para de a Canuto CGM, e tabelaram corrreções para o valores de Γ, Hc e vc para metalicidade solar, que são usados no MESA.
Ana Carolina S. Antonini & Alejandra Daniela Romero (2025),
no cálculo da evolução de uma estrela com massa inicial de 9 M⊙
até a fase de anã branca, com massa final de Ma.b.=1,31 M⊙, com o MESA,
utilizaram, α=2.0 e
αsemi-convecção=0.05 até o fim do EAGB e 0.01 no resfriamento da anã branca,
além de:
Para overshooting
- durante as etapas de queima central de H e He:
f=0.01 e fo=0.005 no topo do núcleo e do envelope, para qualquer composição e com/sem queima.
- durante o EAGB, por conta da queima de C:
f=0.01 e fo=0.005, mas apenas no topo de zonas de queima de H ou He ou sem queima.
- durante o TP-AGB:
f=0.008 e fo=0.0008 apenas na base da camada de queima de He.
Na base do envelope a temperatura da base da camada de H é muito alta e isso cria problemas quando se considera overshooting ali.
- durante o resfriamento da anã branca:
f=0.01 e fo=0.005, em qualquer uma das bordas das camadas convectivas.
Os parâmetros para overshooting estão descritos por Falk Herwig (2000, The evolution of AGB stars with convective overshoot, Astronomy ∓ Astrophysics, 360, 952).
O fator fo explicita que onde, dentro da zona convectiva, será calculado o coeficiente de difusão, já que ele é zero exatamente na borda. O fator f é a fração da escala de altura de pressão
onde ocorre o overshooting.
Dada a massa e a idade de uma estrela, sua estrutura interna completa
é determinada por somente uma outra propriedade básica, sua
composição química inicial.
Normalmente, a composição é especificada por três
parâmetros: X, Y, Z.
- X é a abundância de hidrogênio,
- Y a abundância de hélio, e
- Z a de todos os outros elementos mais pesados.
As abundâncias são definidas em termos de fração
de massa: X representa a massa em hidrogênio
em uma grama de massa estelar, de modo que
O inverso do peso molecular médio é dado por:
onde
é a abundância por massa do elemento
,
e
seu peso atômico.
Como um exemplo, um gás de carbono puro tem
,
ou seja
, enquanto um gás de hidrogênio puro tem
, ou seja
.
Se uma fração
do elemento
, com
prótons, está ionizada,
o peso molecular médio dos elétrons,
será:
 |
(3) |
e
Se o gás tiver 75% de H,
X=0,75 e 25% de He, Y=0,25:
e se o gás estiver completamente ionizado

Ionização nas camadas externas do Sol.
Embora a composição química do Sol possa ser obtida do estudo
de seu espectro,
as linhas de hélio no
espectro do Sol, que deram origem ao nome do elemento,
são linhas cromosféricas
e, portanto, em condições físicas em que a determinação da abundância é
imprecisa. A abundância dos outros gases nobres, principalmente do
Ne, também são imprecisas. Um valor comumente usando para a abundância de
hélio é Y=0,245,
determinado por Nicolas Grevesse & Arlette Noels (1993,
em Origin and Evolution of the Elements, eds. Nikos Prantzos,
Elisabeth Vangioni-Flam & Michel Cassé, Cambridge University Press, 15.)
Em 2005, o mesmo Nicolas Grevesse, com Martin Asplund & A. Jacques Sauval
publicaram redeterminações
da composição solar
(European Astronomical Society Publications Series, 17, 21)
usando novas probabilidades de transição,
modelos tridimensionais e fora de equilíbrio termodinâmico
local, e encontraram Y=0,165, o que levou a modelos completamente
diferentes e inconsistentes com as observações
heliosismológicas
(Sarbani Basu & H. M. Antia, 2008,
Helioseismology and solar abundances,
Physics Reports, 457, 217).
Aldo M. Serenelli & Sarbani Basu (2010, Astrophysical Journal, 719, 865), utilizam a
abundância superficial do Sol obtida pela sismologia, de
YsuperficialSol=0,2485 ± 0,0035,
com uma incerteza na taxa de difusão
de 20%, e os modelos de convecção, para encontrar a
abundância primordial de
YinicialSol=0,278 ± 0,006.
A idade do Sol, obtida pelo decaimento radiativo em meteoritos antigos,
desde o início da sequência principal, está entre 4,563 e 4,576 bilhões
de anos, de acordo com Gerald J. Wasserburg em John N. Bahcall &
Marc Pinsonneault (1995, Reviews of Modern Physics, 67, 781).
Uma determinação das abundâncias solares mais recente é
Nicolas Grevesse, Martin Asplund, A. Jacques Sauval & Pat Scott (2010,
Astrophysics & Space Science, 328, 179)
obtendo X=0,7380, Y=0,2485 e Z=0,0134, consistente com a
heliosismologia.
Aldo Serenelli, Scott Patt, Francesco L. Villante, Aaron C. Vincent, Martin Asplund, Sarbani Basu, Nicolas Grevesse & Carlos Pena-Garay
(2016, Implications of solar wind measurements for solar models and composition, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, 463, 2)
mostram que a abundância observada de neutrinos e a heliosismologia ainda não concordam com as várias determinações de abundâncias solares.
Variação da composição com o tempo
Nas regiões radiativas, não há troca de matéria
entre as camadas da estrela se desprezarmos a difusão.
Portanto, as frações dos elementos químicos
só podem mudar se as reações nucleares criarem
ou destruírem os elementos de tipo
, no elemento
de massa em consideração.
A freqüência das reações nucleares
é descrita por taxas de reação
,
representando o número de reações por unidade de volume
e tempo que transformam elementos do tipo
em elementos
do tipo
. Em geral, um elemento do tipo
pode
ser afetado simultaneamente por muitas reações,
algumas que criam o elemento
,
e outras que o destroem
.
Essas taxas de reações nos dão diretamente
a variação de
por segundo.
Como
 |
(4) |
![\frac{\partial X_i}{\partial t} = \frac{m_i}{\rho} [\sum_j r_{ji} - \sum_k r_{ik}]\quad {i=1,\ldots,I}](img34.gif) |
(5) |
para qualquer elemento 1,...,I envolvido nas reações.
A reação
em que um elemento do tipo
é transformado em um elemento do tipo
está associada
a uma liberação de energia
. Na equação de conservação de energia, nós
usamos a taxa de geração de energia por unidade de massa
, que normalmente contém contribuições
de muitas reações diferentes:
 |
(6) |
Vamos definir qpq como a energia gerada quando uma unidade de massa do elemento
de tipo p
é transformada em um elemento do tipo q:
 |
(7) |
Podemos, então, reescrever a variação da composição
química (4) em termos de
:
 |
(8) |
Se representarmos a queima de hidrogênio por uma taxa geral
,
por exemplo, podemos escrever:
e como
obtemos
,
onde
é a energia liberada por unidade de massa quando o
hidrogênio é convertido em hélio,
se não houver queima de hélio simultânea.
Efeitos microscópicos (movimentos randômicos)
também podem mudar a composição
química de uma camada no interior da estrela. Se existem
gradientes nas abundâncias dos elementos, a difusão tende
a reduzir as diferenças. A difusão se dá por movimentos
randômicos das partículas. A teoria macroscópica da
difusão foi proposta em 1855 pelo
fisiologista alemão Adolf Eugen Fick (1829-1901)
[1855, Annalen der Physik Leipzig, 170, 59],
que mais tarde inventaria as lentes de contato,
propondo duas
leis, relacionado o fluxo de partículas J com o gradiente da concentração
c por um coeficiente de difusão
D,
em analogia ao transporte de calor por um gradiente de temperatura:
e a segunda lei de Fick, que, na verdade, é uma equação de
continuidade:
 |
(9) |
Em 1905, Albert Einstein demonstrou que as leis de Fick eram
válidas, e que o coeficiente de difusão
era relacionado
com o coeficiente de fricção
por:
onde
é a temperatura,
a constante do gás,
para um fluxo dado em mol
.
Em 1952, os inglêses Sydney Chapman (1888-1970) e
Thomas George Cowling
(1906-1990)
detalharam o estudo estatístico
da difusão,
comprovando as duas leis de Fick.
Escrevendo o fluxo
, onde
é a velocidade
de difusão, obtemos
 |
(10) |
e no caso de um coeficiente de difusão
constante:
 |
(11) |
Uma estimativa grosseira do tempo característico de difusão é:
 |
(12) |
onde
é um comprimento característico da variação
da abundância
correspondente à concentração
.
Uma generalização da velocidade de difusão
(equação 10)
é:
 |
(13) |
com os coeficientes de difusão por temperatura
e de difusão por pressão
definidos apropriadamente.
Vamos, primeiro, considerar o efeito de difusão por concentração
e por temperatura.
Assumamos que o gradiente de temperatura é
perpendicular ao plano
em um sistema cartesiano; nesse caso,
o fluxo de partículas J+ de um certo tipo na direção +z,
devido ao movimento estatístico (randômico) das partículas,
será determinado pela densidade
e pela velocidade média
, ambos medidos em
, onde
é
o livre caminho médio das partículas deste tipo:
 |
(14) |
onde o fator de 1/6 origina da média sobre
,
pois queremos o fluxo perpendicular ao plano
e tanto a velocidade v quanto a concentração c são na direção r qualquer.
Se expandirmos
e
em
na equação
(14),
e em uma equação correspondente para o fluxo
na direção
:
![J^\pm = \frac{1}{6}[c(0)\mp\frac{\partial c}{\partial z... ...ft[\bar{v}(0)\mp\frac{\partial \bar{v}}{\partial z}\ell]](img77.gif) |
(15) |
e, portanto, existe um fluxo líquido J
 |
(16) |
que, em geral, não é nulo.
Consideremos a velocidade de difusão relativa
devido ao movimento de dois tipos diferentes de partículas
(1,2), com fluxos
e
, e concentrações
e
:
 |
(17) |
Com a equação
(16), podemos substituir os fluxos
,
e considerando a energia cinética média como a energia térmica:
 |
(18) |
onde
é o peso molecular médio,
podemos obter
 |
(19) |
onde
 |
(20) |
 |
(21) |
onde
e
são os livres caminhos médios
das duas espécies.
Da equação (20)
podemos ver que o coeficiente
de difusão é da ordem de
 |
(22) |
onde
v* e
são representativos das velocidades estatísticas
e livre caminho médio dos componentes.
Se considerarmos uma mistura de hidrogênio e hélio,
é a velocidade de difusão.
Se
, o hidrogênio se difunde na direção
de menor temperatura, isto é, para cima na estrela.
Para a região central do Sol (
K,
g cm-3,
cm e
e para um comprimento característico de difusão S igual ao raio do Sol,
cm, o tempo
característico de difusão (equação 12) será
anos.
Apesar desse tempo de difusão ser muito maior do que a idade
do Universo e, portanto, difusão ser irrelevante no Sol,
no caso de estrelas anãs brancas, a difusão
se dá em escalas de tempo de milhões de anos.
Vamos, agora, considerar a difusão por pressão, que normalmente
é chamada de sedimentação ou deposição gravitacional.
Uma consideração estatística, como no caso da difusão
por temperatura, mostra que existe difusão mesmo nas
camadas isotérmicas, com um gradiente de pressão não-nulo.
Chapman e Cowling (1952), em seu livro The Mathematical Theory
of Non-Uniform Gases, Cambridge University Press, detalham como
obter
, que não vamos reproduzir aqui, pois
Carole Paquette, Claude Pelletier, Gilles Fontaine (1948-2019) &
Georges Michaud (1986, Diffusion Coefficients for Stellar Plasma,
Astrophysical Journal Supplement Series, 61, 177) discutem
que as aproximações introduzidas por Chapman e Cowling
para calcular os coeficientes de difusão analiticamente introduzem
erros sistemáticos, e calculam aproximações mais realísticas
estimando numericamente as integrais de colisão
usando o potencial Coulombiano com escudamento.
Assumindo que um material consiste de dois componentes (1,2),
gases ideais com pesos moleculares
e pressões
,
podemos definir a escala de altura de pressão
 |
(23) |
que com a ajuda da equação de equilíbrio hidrostático
(
)
e da equação de estado de um gás ideal
(
) pode ser escrita como
 |
(24) |
Cada elemento i terá sua escala de pressão.
As densidades das partículas são proporcionais
a
, que são aproximadamente proporcionais a
 |
(25) |
Portanto, a componente com maior peso molecular médio cai mais
rapidamente na direção
do que a componente com menor
peso molecular, de modo que o elemento mais pesado se move
para baixo do elemento mais leve. Essa difusão ocorre
mesmo que os elementos inicialmente estivessem totalmente
misturados. Para as estrelas da seqüência principal,
tanto
quando
são da ordem de um
e, portanto, a separação dos elementos não ocorre.
Como vemos na equação (24), λPi
é inversamente proporcional à gravidade, de modo que
para as estrelas anãs brancas a difusão leva
à separação total dos elementos.
Matthew E. Caplan, Evan B. Bauer, ∓ Ian F. Freeman (2022, Accurate diffusion coefficients for dense white dwarf plasma mixtures, MNRAS, 513, L52)
apresentam a formulacao para os regimes fortemente acoplados (líquido) presentes nas anãs brancas.
Regiões convectivas
As regiões convectivas têm um alto poder de mistura
por movimentos turbulentos, em uma escala de tempo muito
menor do que as mudanças causadas pelas reações
nucleares (≃20 dias pasa a zona de convecção do Sol) e, portanto, podemos assumir que as regiões
convectivas permanecem homogêneas:
 |
(26) |
Se uma zona convectiva se estende de
a
, dentro
desse intervalo todos
são constantes. Mas, como
as bordas da zona de convecção podem mudar com o tempo,
as abundâncias no interior da zona de convecção mudam
 |
(27) |
Os valores de
e
devem ser tomados do lado
de fora da borda que está se movendo. A integral descreve
a mudança devido às reações nucleares, mas
também devido ao movimento das bordas da zona de convecção para regiões
de composição distinta. Essas mudanças podem causar
o transporte de cinzas de reações nucleares
para a superfície da estrela, como ocorre no ramo
das gigantes e supergigantes, os chamados dredge-ups, em que a zona de convecção
se estende por quase toda a estrela, bem como pode levar
novo combustível nuclear para a região de reações
nucleares, nas estrelas com zona convectiva nuclear devido ao ciclo CNO.
Vittorio M. Canuto
(2000, Astrophysical Journal, 534, L113,
Semiconvection and Overshooting: Schwarzschild and Ledoux Criteria Revisited),
discute a necessidade de se incluir estes efeitos.
Paula Jofré e Achim Weiss
(2011, Astronomy & Astrophysics, 533, 15) mostram
que se não levam em conta a difusão nas estrelas
do halo na nossa Galáxia na sequência principal, a idade obtida é de 14 a 16 Ganos,
incoerente com a idade do Universo. Quando levam em conta
a difusão,
como o hidrogênio difunde para cima, saindo do núcleo,
existe menos combustível nuclear e
a saída da sequência principal é mais rápida.
Os coeficientes de difusão do H e do He foram publicados
por Anne A. Thoul, Johm N. Bahcall & Abraham Loeb
(1994, Astrophysical Journal, 421, 828).
Com a inclusão da difusão nos modelos, a idade é de 10 a 12 Ganos, comprovando então que
é necessário levar em conta a difusão na evolução estelar,
especialmente para as estrelas de baixa metalicidade, que
têm envelope convectivo razo e há difusão por um longo tempo.
As isócronas Y2 (Yonsei-Yale: Pierre Demarque, Jong-Hak Woo, Yong-Cheol Kim & Sukyoung K. Yi,
2004, Astrophysical Journal Supplement Series, 155, 667) também incluem difusão de H e He, e também concordam com a idade de 10 a 12 Ganos.
Os modelos PARSEC:
PAdova and TRieste Stellar Evolution Code
de
Alessandro Bressan, Paola Marigo (1966-2024), Léo Girardi, Bernardo Salasnich, Claudia Dal Cero, Stefano Rubele & Ambra Nanni
(2012, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, 427, 127), assim como os
MESA Isochrones & Stellar Tracks, também incluem difusão na sequência principal, mas não os test suite do MESA.
A difusão, levando os elementos mais pesados para baixo, também
faz com que a metalicidade observada hoje em dia não seja a
metalicidade primordial. Existe ainda a levitação
radiativa, que faz que elementos com bandas de absorção
em comprimentos de onda de alto fluxo sejam carregados
para as camadas externas, como o ferro, e terras raras nas
estrelas Ap.
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