
Para temperaturas maiores do que 109 K, necessárias para a queima do C, pares elétron-pósitron são produzidos nos interiores estelares porque a energia da radiação é alta o suficiente (kT>0,1 MeV).

Como um fóton tem massa de repouso zero, ele não pode decair
no vácuo em um par elétron-pósitron ou neutrino-antineutrino,
conservando tanto o momentum quanto a energia, já que no centro
de massa do par, tanto a energia quanto o momentum são nulos.
Entretanto, fótons em um gás denso têm uma massa efetiva,
e são chamados de plasmons. A relação de dispersão para
um plasmon transverso de número de onda k em um gás não degenerado,
não relativístico de densidade eletrônica
, é dada por
Se o gás de elétrons for degenerado, a freqüência de plasma é dada por:
Mário Schenberg (1916-1990),
pernambucano, formou-se em Engenharia e Matemática na USP em 1936, trabalhou na Europa com Enrico
Fermi e Wolfgang Pauli na teoria de neutrinos em 1938 e 1939 e, quando
em 1940 foi trabalhar em Washington com George Gamow, viu que ele não estava incluindo
a perda de energia por neutrinos nos cálculos de colapso de supernova.
Depois em 1941, foi para Princeton trabalhar com Subramanian Chandrasekhar (1910-1995),
retornando ao Brasil em 1942. Foi eleito para a Assembléia Constituinte
em 1945, pelo Partido Comunista Brasileiro, mas foi cassado em seguida.
Preso por subversão no ano seguinte, quando liberado alguns meses
depois foi para Bruxelas, onde trabalhou 5 anos. Returnou ao Brasil
em 1953 e foi diretor do Instituto de Física da USP até 1961.
Em 1962 foi eleito deputado estadual pelo PTB e foi impedido de
assumir "por ser comunista". Foi preso em 1964, e retornou à USP em 1965,
mais em 1968 foi atingido pelo Ato Institucional número 5,
aposentado compulsoriamente e impedido de frequentar a universidade.
Em 1979, com a Anistia, voltou para a USP.
Josiah Schwab (2021, Cooling Models for the Most Massive White Dwarfs, Astrophysical Journal, 916, 2, id.119) mostra que para anãs brancas acima de 1,33 M⊙ a perda de energia pelo neutrino do processo URCA, pelo pares 23Na-23Ne, 25Mg-25Na e 27Al-27Mg, para densidades acima de 109g/cm3 é dominante nos primeiros 100 milhões de anos. Para estrelas de nêutrons este processo é muito importante (Ritesh Ghosh & Igor A. Shvkovy, 2025, Journal of High Energy Physics, 2025, 4, id.110).

O cálculo da taxa de produção de neutrinos é baseado na
teoria eletrofraca de Steven Weinberg (1933-2021)
(1967, A Model of Leptons, Physics Review Letter, 19, 1264), e Abdus Salam (1926-1996)
(1963, Renormalizable Electrodynamics of Vector Mesons, Physical Review, 130, 1287).
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não-degenerado |
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degenerado |
Em um gás não degenerado, a remoção de energia térmica causa contração do núcleo. Pelo teorema de Virial, quando a densidade aumenta, a temperatura também aumenta. Entretanto, em um gás degenerado, a pressão é praticamente independente da temperatura, e uma redução da energia térmica causa redução da temperatura. No núcleo degenerado de estrelas de massa até cerca de 10 M⊙, o esfriamento pelo processo de plasma neutrinos, e em menor grau pelo processo de emissão de fotoneutrinos, inibe a elevação da temperatura no núcleo para as temperaturas necessárias para o início da queima do carbono. Se a massa total for suficiente para que a massa do núcleo atinja o limite da massa máxima de uma anã branca, com densidades nucleares da ordem de 1 a 2×109 g/cm3, inicia-se a queima explosiva do carbono em um núcleo altamente degenerado, resultando em uma supernova.
Taxas de emissão de neutrinos foram
calculadas pelo astrofísico japonês Naoki Itoh, publicadas
em 1996
(Astrophysical Journal, 102, 411-424).

Elena M. Kantor e Mikhail E. Gusakov, do grupo de estrelas de nêutrons do IOFFE, publicaram em 2007 novos cálculos para a emissividade de neutrinos, sem algumas aproximações na função dielétrica e nas relações de dispersão dos plasmons feitas por Itoh, que divergiam para altas densidades em temperaturas intermediárias. A tabela está disponível em http://www.ioffe.ru/astro/NSG/plasmon/table.dat. Na página Electron Conductivity of Stellar Plasmas, de Alexander Potekhin, estão os cálculos de 2021 de condução eletrônica e escudamento eletrônico (electron screening). As estrelas anãs brancas têm uma primeira fase em que o esfriamento por neutrinos devido ao decaimento de plasmons é dominante, antes de entrar em uma fase em que o esfriamento por fótons é dominante.
Juan Carlos D'Olivo e José F. Nieves calcularam em 1998 (Physical Review D, 57, 3116) os efeitos do meio (nucleons) sobre as relações de dispersão dos fótons, incluindo os efeitos de auto-energia e momentum magnético anômalo, incluindo os efeitos relativísticos e de degenerescência, e em 2003 (Physical Review D, 67, 5018) Juan Carlos D'Olivo, José F. Nieves e Sarira Sahu incluiram o efeito da rotação de Faraday.