O limite de massa de Chandrasekhar
é a massa máxima que uma anã branca pode ter e ainda
ser suportada pela pressão de degenerescência dos elétrons;
é o peso molecular médio
(
para hélio, carbono ou oxigênio).
Tetsuo Hamada & Edwin Ernest Salpeter (1924-2008) (1961, Astrophysical Journal, 134, 683) publicaram correções devido às interações eletrostáticas entre os íons, os desvios de Thomas-Fermi da distribuição não uniforme das cargas dos elétrons e a energia de troca das interações spin-spin. Demonstraram que, em altas densidades, os decaimentos β inversos tornam-se importantes, e os elétrons tunelam para dentro dos núcleos, formando nêutrons, e mudando efetivamente o peso molecular médio dos elétrons. Quando a densidade do núcleo atinge um certo valor crítico, os elétrons começam a ser pressionados para dentro dos prótons, o que também define um processo de decaimento β inverso, criando nêutrons e neutrinos. A estrutura nuclear dentro do núcleo da anã branca muda. Quando as transições de fase se iniciam, uma parte do núcleo estelar é composto de núcleos pesados, mudando efetivamente o índice adiabático da estrela. Entretanto, ultrapassar esta densidade crítica, que leva às transições de fase, não é suficiente para causar a instabilidade, que requer ou uma grande diferença entre a densidade do núcleo da estrela e as camadas externas (William H. Ramsey, 1950, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, 110, 444 15),
Outra componente que tem efeito sobre a massa máxima de uma anã branca é a Relatividade Geral. Inicialmente proposto por Samuil Aronovich Kaplan (1921-1978) em 1949 (Zhurnal Eksperimental noi i Teoreticheskoi Fiziki, 19, 951 16) e calculado precisamente em 1964 por Subrahmanyan Chandrasekhar (1910-1995) e Robert F. Tooper (Astrophysical Journal, 139, 1396) e Subrahmanyan Chandrasekhar (Astrophysical Journal, 140, 417 e errata), e precisamos utilizar a equação de equilíbrio hidrostático da relatividade geral. Este efeito quebra a estabilidade dinâmica a densidades mais baixas que aquelas calculadas para os modelos de temperatura zero, reduzindo a massa de Chandrasekhar para 98% da massa de Chandrasekhar sem correção relativística
Note que como raio das anãs brancas, Rab≅ 10 000 km, é mais de mil vezes o raio de Schwarzschild de mesma massa, RSch≅3 km, os efeitos relativísticos são muito pequenos. O mesmo raciocínio mostra que para estrelas de nêutrons, com raios da ordem de 10 km, os efeitos relativísticos são importantes.Michael Rotondo, Jorge A. Rueda, Remo Ruffini & She-Sheng Xue (2011, Relativistic Feynman-Metropolis-Teller theory for white dwarfs in general relativity, Physical Review D, 84, h4007), levam em conta a relatividade geral, o decaimento beta inverso (neutron drip) e o escudamento eletrônico dentro das células de Wigner-Seitz, para calcular a massa máxima para composições químicas diferentes, obtendo valores um pouco menores do que Hamada & Salpeter, 1,409 M⊙ para He, 1,386 M⊙ para C, 1,380 M⊙ para O, 1,106 M⊙ para Fe.
Arun Mathew e Malay K. Nandy (2014, General Relativistic Calculations for White Dwarf Stars, arXiv:1401.0819v3) calculam que a massa máxima para núcleos de C é 1,3916 M⊙, 1,3846 M⊙ para O816, 1,3702 M⊙ para Ne1020 e Fe é 1,157 M⊙. comparando a massa de neutronização com a massa de estabilidade, mas sem levar em conta a neutralidade na célula de Wigner-Seitz.
A anã branca de maior massa conhecida tem massa determinada entre 1,327 e 1,365 M⊙ (2021, Ilaria Caiazzo et al., Nature, 596, E15).
Várias anãs brancas são encontradas com massas abaixo de 0,50 M⊙; os modelos de evolução estelar indicam que estas estrelas não passaram pela fase luminosa (topo) do ramo gigante assintótico (AGB), fase de Mira e subseqüente fase de nebulosa planetária, mas sim tiveram perda de massa suficientemente alta para truncar sua evolução no início do AGB, ou ainda no ramo horizontal, onde há queima de hélio no núcleo. Uma razão para esta truncagem seria se a camada rica em hidrogênio próxima à superfície não tiver massa suficiente para manter ignição e reignição de queima de hidrogênio (shell flashes).
A composição química do núcleo das anãs brancas, que compõe 99,9% da massa das estrelas, nos modelos assumindo a seção de choque convencional da reação C(α,γ)O, é de
Existem poucas anãs brancas com massas medidas por astrometria ou sismologia:
As massas sismológicas foram obtidas por Donald Earl Winget (1955-), Steven Daniel Kawaler (1958-), R. Edward Nather (1926-2014), Kepler de Souza Oliveira Filho (1956-), José Eduardo da Silveira Costa, e seus colaboradores do Whole Earth Telescope.
Como vimos anteriormente, a
massa de Chandrasekhar,
é a massa máxima que uma estrela anã branca pode ter,
e ser suportada por pressão degenerada dos elétrons.
Duas estrelas não binárias de mais alta massa, inferidas
espectroscopicamente, são
PG1658+441, com
,
massa
e
K, e
GD 50, com
e massa
.
Kepler et al. (2007) publicaram outras com
até 1,33 M⊙.
Todas estão abaixo do limite de 1,38 M⊙
da massa de
Chandrasekhar para um núcleo de O/Ne/Mg, a composição
do núcleo mais
provável.
Com a descoberta de que mais de 4% das anãs brancas têm
campos magnéticos entre 1 MG e 1 GG (Kepler et al. 2013,
Montly Notices of the Royal Astronomical Society),
é importante estudar o efeito destes campos magnéticos
na estrutura das anãs brancas, usando a Equação de
Estado calculada por
Alexander Y. Potekhin e Gilles Chabrier, 2012 e 2014,
por exemplo, que levam a massas de Chandrasekhar de até
2,8 M⊙, segundo os cáculos de
Upasana Das e
Banibrata Mukhopadhyay (2012, Physical Review D, 86,2001), que argumentam que as
supernovas Ia peculicares SN2006gz, SN2007if, SN2009dc e SN2003fg
parecem indicar massas de anãs brancas tão altas.
Isto ocorre porque o
teorema do virial escalar torna-se,
A maior parte das
estrelas anãs brancas com massas acima de 0,55 M⊙
provavelmente passou pela fase de
nebulosa planetária, mas em geral 30% das anãs brancas
não são descendentes das nebulosas planetárias. Somente
cerca de
2% das anãs brancas evoluíram diretamente do ramo horizontal
e os 28% restantes vêm igualmente do ramo gigante assintótico
e da evolução de sistemas binários interagentes.
Em termos de sua composição atmosférica, as anãs brancas
se dividem basicamente em duas classes:
Arun Mathew & Malay Kumar Nandy (2018, arXiv:1807.01731,
Noncommutative dispersion relation and mass-radius relation of white dwarfs, discutem as correções quânticas
e a neutronização na massa de Chandrasekhar.
A classificação de D (degenerada) seguida de letra
referente ao espectro, foi proposta inicialmente
por Willem Jacob Luyten (1899-1994) e estendida por
Jesse Leonard Greenstein (1909-2002).
Existe uma pequena quantidade de
As DQs são provavelmente descendentes das DBs, com a
contaminação de carbono devido à dragagem
pela zona de convecção do hélio.
Tendo em vista que os metais normalmente se difundem
muito rapidamente para baixo nas atmosferas frias das anãs brancas,
os metais presentes nas DZs são
devido a acresção do meio inter-estelar,
na forma de gás ou
especialmente na forma de grãos asteroidais
[James R. Graham, K. Matthews, G. Neugebauer, & B. T. Soifer, 1990, Astrophysical Journal, 357, 216;
Michael Alan Jura (1947-2016), 2003, Astrophysical Journal, 584, L91;
Detlev Koester, Boris T. Gänsicke, Jay Farihi,
2014, Astronomy & Atrophysics, 566, 34].
O sufixo "V" no tipo espectral indica que a estrela é variável
em luminosidade.
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