Para temperaturas da ordem de
15 milhões K,
como no interior do Sol,
a transformação de hidrogênio
em hélio se dá principalmente pelo ciclo p-p, com
. O resultado total deste ciclo
transforma
ou mais provavelmente:
A diferença de energia de ligação é de
Mev, correspondendo a um
defeito de massa de 0,71%.
As reações se dão por:

ou

Q=1,046
- com pouca probabilidade

PPI, PPII e
PPIII

O ciclo PPI tem
Mev, com
dois neutrinos de energia média de 0,263 Mev cada
(0,42 MeV máxima), enquanto o PPII tem
Mev, correspondendo a uma perda por
neutrinos de 4%, com neutrinos de 0,80 Mev, além dos dois de
0,263 Mev. O ciclo PPIII, com
Mev, corresponde a uma perda por neutrinos
de 28%, com neutrinos carregando 7,2 Mev, além dos dois de
0,263 Mev.
Com uma média de energia por reação de 25 Mev
ergs/ciclo, uma luminosidade
solar de
ergs/s,
obtemos um total de neutrinos de:

neutrinos/segundo
por queima de hidrogênio, que corresponde a um fluxo aqui na Terra
de
Entretanto, como a secção de choque do neutrino é da ordem
de:
os neutrinos raramente interagem com a matéria. Por exemplo,
considerando-se o número de partículas médias no Sol,
, o livre caminho médio dos neutrinos

O espectro de energia dos neutrinos produzidos no Sol, de acordo
com o modelo padrão de
John
Norris Bahcall (1934-2005) e Marc H. Pinsonneault
(1998, Review of
Modern Physics D, 58, 096016). O fluxo está dado em contagens por cm
2.
O ciclo p-p é responsável por 98% da taxa de geração de energia no
modelo padrão do Sol. As flechas no topo do gráfico indicam a
energia detectável nos experimentos em andamento. (hep significa
3He + p →
4He +
e
+ +
ne).
| Experimento |
fluxo medido (SNU) |
razão medida/teoria |
energia mínimia |
Anos de operação |
| Davis (Cloro) |
2,56 ± 0,16 ± 0,16 |
0,33 ± 0,03 ± 0,05 |
0,814 MeV |
1970-1995 |
| Kamiokande
(Cerenkov) |
2,80 ± 0,19 ± 0,33 |
0,54 ± 0,08
+0,10-0,07 |
7,5 MeV |
1986-1995 |
| SAGE
(Gálio) |
75 ± 7 ± 3 |
0,58 ± 0,06 ± 0,03 |
0,233 MeV |
1990-2006 |
| Gallex
(Gálio) |
78 ± 6 ± 5 |
0,60 ± 0,06 ± 0,04 |
0,233 MeV |
1991-1997 |
| SuperKamiokande |
2,40 ± 0,03 ± 0,08 |
0,465 ± 0,005 ± 0,015 |
5,5 (6,5) MeV |
1996- |
| GNO
(Gálio) |
66 ± 10 ± 3 |
0,51 ± 0,08 ± 0,03 |
0,233 MeV |
1998-2002 |
| SNO (Cerenkov) |
1,75 ± 0,07 ± 0,12 ± 0,05
(CC)
2,39 ± 0,34 ± 0,16 (ES) |
0,347 ± 0,029 (CC) |
6,75 MeV |
1999-2006 |
| IceCube Neutrino Observatory |
|
|
10 MeV |
2010- |
| SNU = 10-36
capturas/alvo/s - CC=charged
current - ES=electron
scattering |
O ciclo CN domina a queima de hidrogênio para
Tc ≥ 16×106 K,
usando o C
catalisador, enquanto o NO requer temperaturas maiores que 30 ×106 K, usando o
N como catalisador. A taxa de geração de energia
.
ou, com menor probabilidade:

Evolução das abundâncias com a temperatura do núcleo para uma
estrela com massa inicial de aproximadamente 25 M
⊙.
T
8=T/10
8K.

Três átomos de hélio colidem, formando um carbono e liberando fótons.
Esta reação só ocorre eficientemente para T >1 00 milhões de K, por causa da repulsão pela carga Z=2 do hélio.
O
8Be formado na colisão de duas partículas
α decai em 2,6×10
-16s novamente em dois
núcleos de He.
A reação triplo-α foi proposta pelo americano
Edwin Ernest Salpeter (1925-2008), fundindo três núcleos de hélio
- partículas
α - em um núcleo de carbono.
Existe uma resonância no núcleo composto do carbono, 7,65 MeV acima
do estado fundamental, que permite que esta reação ocorra com taxas
significativas, conforme predito por Sir Fred Hoyle
(1915-2001) [Fred Hoyle, D. N. F Dunbar, W. A. Wenzel, W. Whaling,
Physical Review 92, 1095c (1953)] e posteriormente observada.
Masatoshi Itoh e colaboradores publicaram (2011, Physical Review C 84,
054308) a possível detecção do estado rotacional 2+ do
12C com energia de 10 MeV, que é importante no
cáculo da secção de choque.
Para temperaturas acima de
Tc≃108 K, ocorre a queima do hélio, pelo
processo chamado triplo-α,
com
:
O
8Be decai em 2 4 em um
tempo de vida médio de 0,067 fentosegundos.
A produção do oxigênio, por acréscimo de outra partícula
α
ao
C
O,
só ocorre porque o
princípio da incerteza permite que uma resonância com energia um
pouco abaixo do limite ocorra, quando classicamente seria proibida.
A próxima reação,
O
Ne
é lenta para estas
temperaturas, mas
N
F ocorre, seguida do decaimento de 18F para
18O. Acima de 6×108 K temos
O
Ne,
Ne
Mg
e, com menor probabilidade,
Ne
Mg.
A reação
domina a produção de nêutrons nas camadas externas,
de acordo com Roberto Gallino (1939-2024) et al. (1998, Astrophysical Journal, 497, 338).
Durante a queima de
hélio o processo s (slow) de lenta captura de
nêutrons, produzidos nas reações com
13C,
13N e
22Ne,
ocorre em estrelas
massivas, produzindo os núcleons até o chumbo. Para as estrelas de
massa entre 1 e 8 MSol um forte processo s
ocorre por interação entre as camadas que queimam hidrogênio e
hélio.

Evolução das abundâncias com a temperatura do núcleo para uma
estrela com massa inicial de aproximadamente 25
M
Sol.
Para estrelas acima de 10 massas solares, quando a temperatura
central atinge
K:
e, com menor probabilidade:
Para 0,8×109 K ≤ T ≤
109 K, a queima do carbono se dá em equilíbrio
hidrostático. Para T ≥ 2×109 K a
queima ocorre em escala hidrodinâmica. Na explosão, o choque
esquenta a matéria ainda não queimada, iniciando a queima e
acelerando-a. O material queimado expande e esfria, interrompendo
as reações termonucleares.
Para T=1-
K:
Para T=3,4-3,7 × 109 K:
Para
K:

William Alfred Fowler (1911-1995) e Sir Fred Hoyle
(1915-2001) propuseram em 1964 (Astrophysical Journal
Supplements, 9, 201), que o processo de queima do silício
preferencialmente sintetiza o 56Ni porque a rápida
queima não permite decaimentos β
suficientes para produzir o 56Fe. Decaimentos
β posteriores, enquanto a matéria ainda
está quente, formam o 56Fe. A solução da cadeia de
reações simultaneas por James Wellington Truran (1940-2022), Willian David Arnett
(1940-) e Alastair Graham Walter Cameron (1925-2005) (1967, Canadian Journal of
Physics, 45, 2315), demonstra que o 56Ni é realmente
dominante para matéria pouco abundante em nêutrons. Se os
nêutrons são abundantes, o núcleo dominante passa para o
54Fe, 56Fe e finalmente 58Fe, com
o aumento do número de nêutrons. O fluxo de nêutrons depende da
metalicidade do material.
Queima termonuclear e Degenerescência dos Elétrons
Processo Termonuclear |
Massa na Sequência Principal Necessária para a Queima (MSol) |
Temperatura de Ignição (K) |
Densidade Aproximada (g/cm3) |
Elétrons Degenerados para Densitidades Maiores que (g/cm3) |
Queima de Hidrogênio 4H→He |
0,08 |
4 × 106 |
10-102 |
~103 |
Queima de Hélio 3He→C, O |
0,4 |
120 x 106 |
103-106 |
~105 |
Queima do Carbono 2C→Ne, Na, Mg, O |
8 |
600 × 106 |
105-108 |
~107 |
Queima de Oxigênio, Neônio e Silício Ne→O,Mg O→S,Si,P Si→Ni→Fe |
10,5 |
1 × 109 a 3 × 109 |
>107 |
~109 |
Umberto Battino et al. 2025, Trans-Fe elements from Type Ia Supernovae. I. Heavy element nucleosynthesis during the formation of near-Chandrasekhar white dwarfs,
publicaram modelos de SNIa, causado por acréscimo de massa em uma binária com anã branca de CO próximo à massa de Chandrasekhar, ou a coalescência de duas anãs brancas, mostrando que grande parte do Fe existente nas estrelas vem destas explosões, já que nas SNII, que vem de estrelas massivas, os elementos do grupo do ferro são majoritariamente destruídos na explosão da supernova. Nos modelos de coalescência, calculados com o MESA, o plasma se torna enriquecido de partículas α pela reação
12C(12C,α)20Ne. As α são capturadas por 22Ne(α,n)25Mg, liberando muitos nêutrons (∼1013 nêutrons/cm3), levando a um aumento de 800 a 3000 vezes a solar nos elementos acima do ferro.

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