| Estrelas de Nêutrons |
Multiplicando (1.102) por
, podemos integrá-la, resultando em:
Diferenciando a equação (1.100) em relação a
,
obtemos
em função de
.
Podemos eliminar
utilizando as equações (1.100), (1.101)
e (1.102),
chegando à equação de
Tolman-Oppenheimer-Volkoff para o equilíbrio
hidrostático na relatividade geral:
De acordo com George William Collins II (1937-),
em The Fundamentals of Stellar Astrophysics, 1989, (New York: Freeman),
um modelo simples é
.
A equação da continuidade da massa
A verdadeira equação de estado das estrelas de nêutrons ainda não é conhecida,
já que não sabemos como descrever a força forte,
mas Edwin Salpeter (1925-2008)
(1961, Astrophysical Journal, 134, 669) mostrou que,
para um gás de elétrons e
núcleos atômicos de peso atômico A e carga Z, com
= A/Z,
incluindo os efeitos Coulombianos da rede de íons,
as correções de Thomas-Fermi
[Llewellyn H. Thomas (1903-1992) The calculation of atomic fields,
Proceedings of the
Cambridge Philosophical Society, 23, 542-548, 1927;
Enrico Fermi (1901-1954).
Un metodo statistice per la determinazione di alcune proprieta del
l'atomo. Rendiconti Accademia Nazionale dei Lincei, 6, 602-607, 1927]
para a não uniformidade da
distribuição de elétrons
(escudamento eletrônico), energia de troca e interações
spin-spin dos
elétrons,
podemos escrever a equação de forma paramétrica como
Subrahmanyan Chandrasekhar (1910-1995) e Robert F. Tooper (1964, Astrophysical Journal, 183, 941) demontraram que as anãs brancas colapsam por efeitos da relatividade geral com 98% da massa de Chandrasekhar. Para as estrelas de nêutrons, a relatividade geral causa o colapso muito antes de toda a estrela tornar-se relativisticamente degenerada.
Nas estrelas de nêutrons, os elétrons degenerados têm energia suficiente para induzir o decaimento
inverso, isto é,
colidir com um próton formando um nêutron. O subsequente decaimento
não é possível porque implicaria na emissão de um próton e
um elétron de menor energia e, portanto, em um estado já completamente ocupado.
Desta maneira prótons são convertidos em nêutrons, formando núcleos ricos em nêutrons. Neste caso, a repulsão coulombiana é reduzida e núcleos mais pesados que o 56Fe são formados.
Podemos estimar a densidade média de uma estrela de nêutrons, considerando
que a massa média é de 1,4
e raio de 10 km
Para densidades superiores, os núcleos começam a se unir, formando um denso gás de elétrons, prótons e nêutrons. A equação de estado depende então fortemente da interação entre os núcleons, ainda incerta. Para densidades de
, píons, múons e híperons são energeticamente possíveis, e acima disto, os quarks tornam-se importantes.
A coexistência em equilíbrio de nêutrons, prótons e elétrons,
para temperatura desprezável, é caracterizada por
e
Para estrelas de nêutron, as densidades são maiores que
as da matéria nuclear.
Neste caso,
a Energia de Fermi é da ordem de
MeV, correspondendo
a
K. Portanto a energia cinética
devido a degenerescência é a principal contribuição
à pressão, com correções substanciais devido às forças
nucleares. A agitação térmica é desprezável,
já que a emissão de neutrinos no colapso para estrela de nêutrons
esfria o núcleo para
K em poucos segundos.
O processo mais eficiente de formação de neutrinos é o processo URCA
(
e
),
e Urca modificado
(
e
),
que é proporcial a T8, esfriando a estrela rapidamente para
T<109K.
Após algo entre 10 a 10 000 anos, o processo URCA torna-se
ineficiente, e esfriamento por bremsstrahlung de pares de neutrinos
e mais tarde por emissão térmica de fótons esfria a estrela e leva a
uma temperatura superficial de alguns milhões de Kelvin.
Mas se o núcleo não for composto por matéria normal, o esfriamento
pode ser mais complicado.

Desta forma, estranheza não é conservada em objetos astrofísicos.
Nos núcleos atômicos estáveis, a massa dos híperons é maior do que
a energia de Fermi, de modo que não é energeticamente favorável
a transformação em híperons. As reações nucleares são tão rápidas
10-22 s, que a estranheza é conservada nesta escala de
tempo. Desta forma, embora a matéria nuclear normal tenha estranheza
líquida zero, as estrelas de nêutrons podem ter, e quase certamente têm,
híperons e ter estranheza líquida não nula.
(Norman K. Glendenning, 1997, Compact Stars, Springer: New York.)
A primeira derivação do colapso de uma estrela para o estágio de buraco negro foi publicada por Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) e Hartland Snyder em 1939, no Physical Review, 56, demonstrando que o último estágio do colapso é um buraco negro, e que a estrela corta qualquer comunicação com o exterior. Em 1974 o físico inglês Stephen W. Hawking (1942-) demonstra que os efeitos de tunelamento quântico levam à evaporação de qualquer buraco negro, em escalas de tempo suficientemente grandes. Para um tratamento adequado do assunto, veja o livro Compact Stars, do físico Norman K. Glendenning, publicado pela Springer em 1997, ou as notas de Edward Lewis Robinson (1945-), Black Holes, que deduz o espaço-tempo de Kerr [Roy P. Kerr (1934-)] fora de um buraco negro em rotação, publicado em 1963 no artigo "Gravitational Field of a Spinning Mass as an Example of Algebraically Special Metrics", no Physics Review Letters, 11, 237, em coordenadas de Boyer-Lindquist [Robert H. Boyer e Richard W. Lindquist, "Maximal Analytic Extension of the Kerr Metric", Journal Mathematical Physics, 8, 265, 1967], uma generalização da métrica de Schwarzschild.
![]() |
(Schwarzschild) |
O pulsar PSR J1748-2446 tem um período de rotação de 1,39 ms. O tensor energia-momentum consiste do tensor do gás ideal adicionado ao tensor eletromagnetico.


Estruturas possíveis de uma estrela de nêutrons, de acordo com
Fridolin Weber,
Rodrigo Negreiros, Philip Rosenfield
e Andreu Torres i Cuadrat, 2007, AIPC, 892, 515.
Frederick M. Walter et al. 2010,
Astrophysical Journal, 724, 669
confirmou a medida de raio da
estrela de nêutrons
sem emissão de rádio
RXJ1856-3754, com V=25,7, obtida por Joachim E. Trümper et al. 2004 (Nuclear
Physics Supplement, 132, 560) com maior precisão,
R=16,8±1,3 km, através da medida de sua luminosidade com
imagens do Telescópio Espacial Hubble, da distância de 123±13 pc,
e de sua temperatura pelo espéctro (puramente de corpo negro) obtido
com o Chandra.